Introdução:

Queridos devotos e amigos do Menino Jesus de Praga

Bem vindos à festa em honra do Menino Jesus. Todos recordamos a sua promessa: «Quanto mais Me honrardes, mais Eu vos favorecerei». Aqui estamos para O honrar com a nossa presença e as nossas orações. Conseguimos chegar a este dia para podermos estar hoje aqui aos pés do Menino e na companhia de tantos devotos, que chegam de tão longe para a sua festa anual. Consideremos donde vimos, para onde peregrinamos e com quem caminhamos. A Igreja celebra neste dia a Ascensão do Senhor ao Céu. Subamos com Ele por meio desta peregrinação.

 

Homilia:

Queridos devotos e amigos do Divino Menino Jesus de Praga:

Acabamos de escutar no Evangelho que «Jesus levou os discípulos até junto de Betânia e, erguendo as mãos, abençoou-os. Enquanto os abençoava, afastou-Se deles e foi elevado ao Céu. Eles prostraram-se diante de Jesus, e depois voltaram para Jerusalém com grande alegria. E estavam continuamente no templo, bendizendo a Deus» (Lc 24, 50-53). Nós não pudemos estar lá, mas podemos estar aqui para fazer a festa com Jesus, como bem se canta nesta peregrinação. Jesus, erguendo as mãos, abençoou-os, e, enquanto os abençoava, foi elevado ao Céu. É precisamente isto que nós celebramos neste dia e neste santuário do Menino Jesus. Ele trouxe-nos até aqui, como naquele dia levou os discípulos até junto de Betânia. Ele ergueu as mãos a partir do seu trono, o andor que transportamos, e nos abençoa. Abençoa com a mão direita e sustenta o mundo com a mão esquerda. A vida de Jesus é uma bênção que tem a forma da grande cruz que Lhe colocamos ao peito. Foi nessa cruz que o Menino Jesus, já bem crescido e homem feito, nos atraiu a Si e nos abençoou com a bênção da salvação que nos está reservada no Céu. Ainda hoje, este altar torna presente essa grande Cruz e Aquele que nela foi crucificado. Reunimo-nos à volta do altar, como à volta de Cristo crucificado, que é a bênção eterna para todos os homens, sobretudo para os mais pecadores. Esta bênção é a salvação que Deus Pai nos oferece por meio do seu Filho, que neste Santuário se adora como Menino para nos ajudar a entender que nós somos os meninos do Pai, a menina dos olhos da Mãe de Deus, nós que aqui estamos dentro das nossas mães à espera de nascer, nós bebés de peito incomodados com o calor, nós crianças irrequietas e ansiosas pela procissão da tarde, nós jovens preocupados com o futuro, nós adultos cansados com o passado e assuntados com o que nos está reservado nos desígnios de Deus. Precisamos desta peregrinação para nos encontrarmos com Jesus e recebermos a sua bênção para nós e para os nossos. Nunca o homem precisou tanto de Deus como nos nossos dias. E isto pela simples mentalidade actual de que nós somos senhores de nós mesmos e podemos viver sem Deus. A história da nossa vida, e dos nossos familiares e amigos, ensina-nos que Deus é o Senhor de todos e que todos se encontram na mesma terra que é significada no globo que a imagem do Menino Jesus segura na sua mão. Estamos todos nas mãos de Deus para sermos abençoados e salvos. O Pai do Céu tudo entregou na mãos do seu Filho Jesus, o único que pode salvar-nos porque deu a sua vida por nós.

Neste dia da Ascensão de Jesus ao Céu, recordemos a sua promessa: «Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos» (Mt 28, 20b). Ele está no meio de nós, tão presente entre nós como no Céu junto do Pai e de todos os que já partiram para essa morada eterna que é o próprio Deus. Os incómodos desta peregrinação recordam-nos os incómodos da nossa vida sobre a terra. Mas se considerarmos que uma parte de nós mesmos já se encontra no Céu, os nossos passos sobre a terra serão em direcção ao Céu. Procuremos regressar pelos caminhos que conduzem à nossa verdadeira morada, que é Deus, mas também são os irmãos com quem peregrinamos e aqueles por quem rezamos e todos os que mais precisam da nossa oração. Esta festa é um acontecimento espiritual, humano e social muito importante, não pelo que comemos ou bebemos, que também é preciso, mas porque avaliamos a vida à luz de Deus. Quantos dos nossos nos acompanharam nesta peregrinação e já partiram com Jesus para o Pai. Eles estão connosco, no meio de nós, no nosso coração. Rezamos ao Menino Jesus, mas também falamos com esses nossos queridos. Eles já não são peregrinos, mas porque também peregrinaram, agora foram constituídos por Deus guias da nossa peregrinação.

Queridos peregrinos, viemos com uma determinada fé que só Deus conhece. Renovemos essa fé para que a nossa vida seja de acordo com as celebrações desta peregrinação.

2 de Junho de 2019
P. Pedro Lourenço Ferreira, provincial OCD